Tem um bonitão, uma bonitona,
problemas de relacionamento e uma reviravolta. Parece uma comédia romântica
daquelas com final em aeroportos, declarações melosas e irreais, mas se é isto
que você espera de O lado bom da vida (Silver Linings Playbook, EUA, 2012) vai se
decepcionar (pra melhor).
A categoria é drama, o pôster é de comédia romântica, mas eu prefiro chamar de
comédia dramática, um gênero que mostra o equilíbrio entre a profundidade do
drama e as pinceladas sutis da observação do diretor sobre a vida (que pode ter
alguma graça afinal).
A trama gira em torno de Pat Solatano
(Bradley Cooper), um cara que perdeu tudo - casa, trabalho, e esposa. Ele agora
vive com sua mãe (Jacki Weaver) e o pai (Robert DeNiro), depois de passar oito
meses preso numa instituição para tratamento. Decidido a reconstruir sua vida,
ele acredita ser possível passar por cima de todos os problemas do passado
recente e até reconquistar a ex-esposa. É nesse cenário que Pat conhece
Tiffany, uma jovem mulher que após a morte do marido também não é considerada alguém
em seu estado perfeito.
O Lado Bom da Vida recebeu oito
indicações ao Oscar 2013, incluindo melhor ator para Bradley Cooper e melhor
atriz para Jennifer Lawrence. Como já sabemos, ela levou o Oscar, tropeçou ao
subir no palco, blá blá blá... Mas será que realmente esta atuação merecia a
estatueta?
Em Inverno da alma, a moça já tinha
mostrado grande talento e, em seguida, virou a queridinha do gênero blockbuster
com Jogos Vorazes, mas talvez ela tenha recebido reconhecimento por uma atuação
que ainda não atingiu sua melhor fase. Este filme parece ser um daqueles casos
em que a academia supervaloriza uma produção.
Já Bradley Cooper, que ganhou fama
pela comédia Se beber, não case ( The Hangover) parte I, II e III ( em
produção), além de estrelar outros papéis de ação, ficou mesmo marcado no Brasil
pela veia da comédia. Neste papel, porém, Cooper mostra total capacidade de
interpretar um personagem mais profundo e psicologicamente frágil.
Neste longa dirigido por David O.
Russell ( de "O Vencedor") é difícil apontar, entre os personagens,
alguém realizado, sem distúrbios bipolares ou TOC. Mas, como anuncia o título,
estão todos em busca da felicidade. O filme é uma adaptação do livro de mesmo
nome do autor Matthew Quick, que acredito, vale a pena ser lido.
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