Que
filmes sobre a história de ídolos da música fazem sucesso no Brasil (e não só
nele, mas em outros países também) a gente já sabe. Veja o grande sucesso que
produções como “Cazuza”, “2 filhos de Francisco” e “ Gonzaga- de
pai pra filho” fizeram. Na mesma onda, o longa Somos tão jovens (Brasil, 2013) baseado na história de um ícone do
Rock Brasília que se tornou porta-voz da juventude urbana do país inteiro, chegou
aos cinemas elevando as expectativas de cinéfilos, críticos e entusiastas. Pra
tristeza geral, a expectativa foi alta demais. O filme é ruim? Não. Mas merecia
ser melhor. "Higienizar" a carreira de Renato Russo não era a solução pra acertar no filme, mas foi exatamente o que eles fizeram.
A
história de Renato (Thiago Mendonça) começa quando um pequeno acidente o leva a
descobrir que sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou
numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em
casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato
começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos
problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e,
posteriormente, a Legião Urbana.
Se
você pensa que o filme se dá ao trabalho de te contar, ou melhor, mostrar fatos
como esse, então já foi enganado, meu querido. A doença, sua recuperação e, principalmente,
o tempo de formação de Renato em que lia e ouvia música são mostrados quase que
como um flash. Ao mesmo tempo, outras situações se desenvolvem didaticamente demais.
As falhas no roteiro ficam evidentes em vários momentos, mas as atuações de
Thiago Mendonça (Russo) e Laila Zaid (Ana) seguram a onda e o filme. Já as
outras são sofríveis, com exceção apenas para a de Bruno Torres (Fê Lemos).
Os
outros personagens soam caricatos. É muita falta de naturalidade, gente! Se a
maioria das atuações é assim, pior é a falta de naturalidade com que a deixa de
letras de canções que Renato viria a compor aparecem em diálogos e situações.
Será que elas serviram de inspiração? Pode até ser, mas não colou. Ninguém fala: " Poxa, eu tô com um tédio com um T, assim, bem grande".
O
filme dirigido por Antonio Carlos Fontoura se passa no período de 1976 a 1982,
e mostra as várias descobertas de Renato: o movimento punk, a música como
expressão, a sexualidade e sua clara insegurança por não se sentir bonito. A direção
preferiu adotar como linguagem uma câmera próxima, trêmula, descompromissada
com a forma tanto quanto o punk com a qualidade musical. O importante, nesse
sentido, é a mensagem e nisso ele acertou: existem falhas no filme, mas existem
bons momentos também. A reputação de Renato continua intacta após quase duas
horas de película.
Já
o roteiro de Marcos Berstein (o mesmo de Central do Brasil) suaviza demais
temas da vida de Renato Russo que contrariam a própria sinceridade do cantor.
Sinceridade pela qual, inclusive, era conhecido. Os questionamentos sobre sua
sexualidade são rapidamente pincelados com um flerte aqui, um possível romance
ali. A palavra de ordem foi a sutileza e a segurança presente na superfície.




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